Descrição: Hoje, Trancoso foi tomada por um caminhar antigo e vivo. As baianas saíram em cortejo, com passos firmes e delicados, levando nos braços e sobre a cabeça cestos de flores brancas e azuis — oferendas de amor, fé e gratidão. O caminho até a praia não foi apenas físico: foi ritual. O terreiro do Pai Roni conduziu a celebração com respeito e força ancestral. Entre cantos, silêncios e sorrisos, a multidão se formou naturalmente — gente de todo canto, unida por um mesmo gesto de entrega. Havia muita gente, mas não havia pressa. Havia fé. Havia alegria. Na chegada ao mar, as flores encontraram o destino certo. Foram entregues às águas como quem devolve algo sagrado à origem. Iemanjá recebeu — no azul do céu, no branco das roupas, no brilho tranquilo dos olhos de quem participou. Foi um dia de corpo presente e espírito aberto. Uma festa que não se assiste: se atravessa. E eu tive a honra de registrar, em imagens, esse encontro entre tradição, devoção e vida pulsando junto.